quinta-feira, 7 de março de 2019

O que o eSocial muda para as empresas


O eSocial já está em vigor para as empresas brasileiras e não será mais prorrogado. Além da sua implantação, todos os departamentos devem estar habituados ao sistema a partir de agora.Isso porque o eSocial será um trabalho contínuo.

 Mais que a entrega da documentação atual, as empresas passarão a operar segundo os novos requisitos. Ele será o único modo de prestar contas ao Governo federal.



Neste artigo, você saberá como o eSocial irá redefinir processos nos departamentos financeiro, jurídico, RH, contabilidade e segurança no trabalho.

AFINAL, O QUE É ESOCIAL?

Antes de abordar as principais alterações originadas pelo novo sistema, é importante definir de que ele se trata. O eSocial foi criado para unificar as documentações referentes às obrigações trabalhistas e previdenciárias previstas em lei.
Até a sua criação, as empresas precisavam enviar dados a vários órgãos diferentes. Em alguns casos, o mesmo documento era submetido a mais de um órgão. Ou seja, não havia integração entre os órgãos do Governo Federal.
Com o sistema, o trabalho fica mais simples. Por meio de apenas uma declaração, todas as entidades do Governo que antes recolhiam esses dados, são capazes de recebe-los de uma só vez. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o INSS e o Ministério do Trabalho e Emprego, compõem o Comitê Gestor do eSocial, responsável pelo sistema.



Além disso, será mais simples para os órgãos fiscalizadores acessarem tudo o que acontece em relações trabalhistas. O eSocial é composto por 45 eventos, que determinam as novas práticas para atualizações sobre o trabalhador.

O QUE MUDA COM O ESOCIAL

Pode parecer um trabalho burocrático, mas a ideia do eSocial é justamente a desburocratização. Com o envio de informações em uma mesma plataforma, obrigações redundantes como RAIS, DIRF e CAGED tornam-se obsoletas.
Com soluções integradas, o detalhamento na entrega de documentos torna-se essencial. Muitas informações que antes eram de competência de apenas um setor, agora serão compartilhadas por todos.
Por exemplo, eventos que envolvem o RH e o departamento jurídico não exigirão duas entregas – uma de cada departamento. Dessa forma, o eSocial demanda maior interação entre os departamentos da empresa.

NOVA CULTURA NAS EMPRESAS

Muitas empresas estão tratando a implantação do eSocial como um caso único. Mas é preciso ter em mente que, mesmo após a adequação ao sistema, as empresas deverão continuar respeitando os prazos de entrega de documentos.

Antes, era comum deixar de gerar algumas informações sem que o governo pudesse identifica-las. Por exemplo, no caso de admissões, nem sempre as empresas instruíam seus novos funcionários a realizar exame médico.

Com o eSocial, as admissões têm que estar em total conformidade com a lei. Além disso, todo evento tem seu prazo específico. Portanto, não será mais possível faltar com nenhuma informação, bem como deve-se estar atento aos prazos de entrega de cada declaração.

TREINAMENTO PARA O ESOCIAL

A fim de evitar multas, é importante que todos os departamentos estejam familiarizados com o eSocial. Mapear, revisar e se adaptar aos novos processos é prioridade para que as entregas aconteçam dentro dos prazos. O sistema requer estudo para aplicação de todos os eventos.
A reorganização para esta nova cultura acontece, essencialmente, por meio de treinamentos especializados, como workshops e palestras sobre o eSocial.

AS MUDANÇAS

Como vimos, o eSocial exige uma nova posição das empresas quanto às documentações legais que devem ser entregues ao Governo Federal. Ele redefine os processos que se firmarão nos próximos anos. Por isso, confira como cada departamento será reestruturado:

• FINANCEIRO

Rotinas relacionadas ao departamento, como pagamentos realizados, receitas e despesas de procedimentos, têm de estar de acordo com os eventos do eSocial. Entre os demonstrativos mais importantes, os gastos com pessoal exigem atenção.
Qualquer deslize na elaboração do orçamento e gestão de despesas pode ocasionar problemas no caixa e, portanto, multas para a empresa.

• JURÍDICO

O eSocial estreitará a relação do jurídico com os demais departamentos, pois as informações referentes a processos judiciais que influenciam nos cálculos e encargos do FGTS precisarão constar no sistema. Ainda, processos trabalhistas, previdenciários e tributários também devem ser declarados.

• CONTABILIDADE

A atenção às penalidades deve ser redobrada, pois cada evento conta com um prazo específico. Evitar atrasos e ausências na entrega dos dados ao sistema é o principal desafio deste departamento, bem como a substituição gradual de antigos processos para novas determinações.

• RH

Certamente, trata-se do setor com mudanças mais expressivas quando o assunto é eSocial. A adequação à automação é a principal demanda para este departamento. É necessário que o RH forneça com agilidade todas as atualizações sobre os funcionários da empresa. A admissão de funcionários, por exemplo, deve ser informada até o final do dia. Avisos prévios e desligamentos, por sua vez, em até um dia após o ocorrido.

 O sistema precisa estar quase sincronizado com a rotina do Departamento Pessoal.


 SEGURANÇA DO TRABALHO

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser informada dentro dos prazos estipulados pelos eventos que se referem a afastamento por acidente ou doença. Dados como ASO, insalubridade, PPP e periculosidade também devem ser enviados eletronicamente ao Governo Federal por meio do eSocial.
A atenção deve ser redobrada para as normas regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego, do qual nem sempre as empresas têm os laudos em ordem. Os principais são: Laudo Técnico das Condições do Ambiente de Trabalho (LTCAT), Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO).

                                                            FONTE:JORNAL COMTÁBIL

quarta-feira, 6 de março de 2019

ENTENDENDO O CADEADO VERDE NO SEU BROWSER



Parte 1 


Atualmente já estamos acostumados a ver o cadeado verde (no Chrome e Firefox – no Edge é apenas o contorno de um cadeado) ao lado da barra de navegação em quase todos os sites acessados, sinal de que está sendo usado o protocolo HTTPS,  utilizado nos sites seguros.

Recentemente o Google deu o golpe de misericórdia nos sites que não usam a tecnologia segura baixando o ranking destes sites, o que gerou uma onda de migrações de HTTP para HTTPS em toda a internet.

Mas o que significa exatamente o termo HTTPS e o quão seguro é o site que tem o cadeado?

HTTPS significa utilizar o protocolo HTTP dos sites não seguros, porém dentro de uma conexão SSL/TLS, que é criptografada. Ou seja, antes do navegador começar a se comunicar com o site, o canal de comunicação é codificado para evitar que as mensagens trocadas entre o navegador e o site sejam “espionadas” por terceiros.

Além disso, antes de estabelecer a conexão, a identidade do site remoto é verificada através do uso de certificados digitais, para evitar que o navegador se comunique com um site falso fazendo se passar pelo site verdadeiro.

Explicarei, neste artigo, como estes objetivos são alcançados, como é a tecnologia PKI, ou “Infraestrutura de Chaves Públicas”, que está por trás de toda a segurança digital dos websites.

Assinaturas digitais

Tudo começa com a assinatura digital: ela é um “apêndice” adicionado a uma mensagem eletrônica para garantir que esta veio de um determinado remetente. Esta técnica se baseia na tecnologia de criptografia com chaves assimétricas, descrita no artigo “Segurança da Informação – Criptografia”, mas que pode ser resumida no parágrafo abaixo:

Se uma determinada fonte codificar uma mensagem com a sua chave privada, apenas a chave pública poderá decodificar tal mensagem, e vice versa (ou seja, se a mensagem for codificada com a chave pública, somente a chave privada poderá decodificá-la). 

Ou seja, se esta mensagem puder ser corretamente decodificada utilizando a chave pública da fonte, então necessariamente ela terá sido enviada pela fonte, pois apenas ela teria acesso a chave privada para poder codificar a mensagem.


Mas afinal, o que contém este apêndice que é adicionado à mensagem?

Ele contém a própria mensagem sendo assinada e codificada pela chave privada do remetente. Antes da mensagem ser codificada, ela passa por uma transformação matemática chamada hash, que tem por objetivo diminuir seu tamanho para um número fixo de caracteres por questões de eficiência. O hash então é codificado no lugar da mensagem, o que dá uma assinatura de um tamanho razoável e fixo.

Validando assinaturas digitais

O processo de validação da assinatura digital é bem simples. Primeiro, calcula-se o “hash” da mensagem assinada usando o mesmo algoritmo que foi usado pela entidade que assinou o documento. Em seguida, compara-se este hash com o assinatura enviada pelo remetente, após ter sido decodificada com a chave pública do mesmo. Se os 2 valores forem iguais é porque o documento foi de fato assinado pelo remetente.

Esta premissa é a base de toda a tecnologia de segurança utilizada atualmente, porém resta ainda um problema: como garantir que a chave pública utilizada para decodificar a mensagem realmente pertence ao remetente da mensagem?

Certificados digitais

Um certificado digital é um documento utilizado para garantir que uma chave pública pertence a uma determinada entidade (pessoa física ou jurídica). Ela também provê informações sobre tal entidade, como endereço do website e local físico da empresa.

 Ao garantir a propriedade da chave pública, ele garante que qualquer comunicação bem sucedida utilizando tal chave certamente partiu da entidade que está no certificado (uma vez que apenas esta entidade deveria ter acesso à chave privada).

Certificados digitais podem ser usados para vários fins, sendo estes o mais comum:
  • Assinatura digital
  • Autenticação
  • Troca de chaves de criptografia
Independente do uso dado ao certificado, ele é sempre emitido da mesma forma, que segue os passos abaixo:
  • O proprietário cria um par de chaves assimétricas, guarda uma delas (chamada de chave privada), e coloca a outra (chave pública) em um documento digital com seus dados (endereço, email, website). Em seguida este documento é assinado utilizando a chave privada do requerente. Este documento é chamado de  “certificate request”.
  • Este documento digital é então enviado a uma entidade certificadora junto com alguma prova de identidade. Esta prova pode ser simplesmente o acesso a um endereço de e-mail, ou envio de documentação comprobatória como carteira de identidade e contrato social.
  • Uma vez comprovada a identidade do requerente, o pedido de certificado é assinado pela entidade certificadora, e se torna o certificado do requerente e é enviado de volta ao requerente.
  • O requerente recebe o certificado emitido e o utiliza em conjunto com a chave privada para assinar documentos e iniciar servidores web com o protocolo HTTPS.

Como vimos acima, o certificado é emitido por uma entidade certificadora.

 Mas como é verificada a assinatura da entidade certificadora? É o que veremos na próxima semana.  

                             FONTE: WINCO SISTEMAS